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Saúde

Por que é tão difícil dizer “não”? Neurocientista explica o medo da rejeição e dá dicas

Segundo especialista, a necessidade de pertencimento social faz muita gente aceitar pedidos que preferia recusar, o que pode levar à sobrecarga.

Por que é tão difícil dizer "não"? Neurocientista explica o medo da rejeição e dá dicas
Foto: Reprodução/Imagem ilustrativa • StockRocket/iStockphoto/Getty Images

Recusar um convite, uma tarefa no trabalho ou um favor costuma gerar desconforto e até culpa. O receio de desagradar, prejudicar uma relação ou ser malvisto leva muitas pessoas a aceitar compromissos sem disponibilidade ou vontade.

De acordo com a neurocientista comportamental Ana Carolina Souza, doutora em Neurociência Comportamental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o comportamento está ligado à necessidade humana de pertencimento social. Para ela, o medo da avaliação alheia é um dos fatores que dificultam a imposição de limites.

Sócia de uma empresa de assessoria e educação corporativa em Neurociência Organizacional, Souza explica que, como seres sociais, os humanos dão importância às relações e ao reconhecimento dos grupos de que fazem parte. Nesse contexto, negar um pedido pode ser visto como rejeição, e o incômodo também vem de ser responsável por frustrar a expectativa de outra pessoa. A tendência pode ser mais forte no trabalho, sobretudo quando o pedido parte de alguém em posição hierárquica superior.

Dizer "sim" pode trazer alívio imediato ao evitar um conflito, mas nem sempre compensa a longo prazo. Ao priorizar sempre as expectativas dos outros, a pessoa pode abrir mão de tempo para saúde, família, descanso e atividades importantes, o que pode resultar em cansaço, frustração e acúmulo de responsabilidades.

Para aprender a recusar, a especialista recomenda não decidir de forma automática: entender o que está sendo pedido, esclarecer dúvidas e avaliar disponibilidade e relevância. Ao dizer não, vale demonstrar consideração, agradecer pelo convite, apresentar uma justificativa objetiva sem se alongar e manter uma posição firme.

Também é possível negociar alternativas. No trabalho, o profissional pode explicar que precisa interromper outra atividade para assumir a nova demanda e pedir uma definição de prioridades. Em compromissos pessoais, pode sugerir outra data ou indicar alguém disponível.

Segundo Souza, o objetivo não é recusar tudo nem aceitar todas as oportunidades, mas desenvolver a capacidade de fazer escolhas conscientes e preservar relações respeitosas. Para quem tem dificuldade, ela sugere começar por situações cotidianas de menor impacto e praticar aos poucos.

Foto: Reprodução/Imagem ilustrativa • StockRocket/iStockphoto/Getty Images.

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