Quem nota mais fios no ralo ou falhas no couro cabeludo costuma buscar soluções rápidas, mas essa pressa pode atrapalhar a recuperação capilar, principalmente em casos de doenças mais sérias, como a alopecia. O alerta é do tricologista João Gabriel Fernandes, em entrevista concedida neste domingo (18).
Segundo ele, o ponto de partida deve ser sempre a identificação da origem do problema, e não a adoção de tratamentos rápidos vistos na internet. Para o especialista, esse é o principal erro de quem tenta tratar a queda de cabelo sem diagnóstico. Ele afirma que cada tipo tem uma causa diferente, seja hormonal, autoimune ou inflamatória, o que muda a estratégia.
O termo alopecia reúne condições distintas. Entre as mais frequentes está a androgenética, a popular calvície, ligada a fatores genéticos e hormonais. Há ainda a alopecia areata, de natureza autoimune, que provoca falhas e tem comportamento imprevisível, e as formas cicatriciais, mais raras, em que o dano aos folículos é permanente.
De acordo com o tricologista, quadros visualmente parecidos podem ter origens muito diferentes, como deficiência nutricional, processos inflamatórios silenciosos, alterações hormonais, estresse crônico ou sensibilização química do couro cabeludo. "Quando não se entende a causa, o tratamento vira tentativa e erro", afirma.
O tempo de resposta também varia conforme o tipo. Em alguns casos, o crescimento pode retornar em poucos meses; em outros, o acompanhamento precisa ser contínuo e de longo prazo. Por isso, é necessário um plano individualizado, construído a partir de avaliação médica.
Fernandes destaca que o foco atual está mais no equilíbrio do organismo, no controle inflamatório e no fortalecimento do couro cabeludo do que apenas em estimular o crescimento. Para ele, o cabelo saudável é consequência de um ambiente biológico saudável.
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