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Saúde

Câncer de mama: terapias individualizadas e novos medicamentos ampliam chances de cura, mas acesso no SUS ainda é limitado

Oncologistas afirmam que a área vive a era da precisão, com imunoterapia e anticorpos conjugados, mas parte das medicações não está disponível na rede pública.

Câncer de mama: terapias individualizadas e novos medicamentos ampliam chances de cura, mas acesso no SUS ainda é limitado
Foto: Reprodução/BNews

Os maiores avanços no enfrentamento do câncer de mama têm ocorrido na fase de tratamento, e não apenas no diagnóstico, foco das campanhas do Outubro Rosa. Segundo oncologistas, a área vive hoje uma era de precisão, que permite a mais mulheres vencer a doença, independentemente do estágio em que ela é descoberta.

As inovações foram aceleradas desde 2019, com o surgimento de novos medicamentos e métodos. Como resultado, cirurgias na mama e na axila têm sido cada vez menos necessárias quando a paciente recebe o cuidado adequado.

A oncologista clínica Maíra Tavares explica que o câncer de mama não é uma doença única, mas um grupo de enfermidades que se divide em três grandes grupos: o hormonal, em que os tumores crescem captando estrogênio e progesterona; o HER2, nome da proteína que influencia o crescimento das células cancerígenas; e o triplo-negativo, o mais agressivo. Os dois primeiros tiveram tratamentos direcionados mais cedo, enquanto o triplo-negativo demorou mais por falta de identificação da origem do crescimento do tumor.

Para o triplo-negativo, um dos avanços de destaque é a imunoterapia, que estimula o sistema imune do paciente a combater o tumor. A novidade mais recente, aprovada no Brasil neste ano, é uma nova classe de medicamentos chamada anticorpos conjugados (ADCs), que carregam a quimioterapia e a liberam diretamente na célula-alvo. Segundo a médica, o Datopotamabe e o Sacituzumabe, autorizados pela Anvisa, são os que mais se destacam.

Os ADCs permitiram tratar pacientes em estágios avançados, como os com metástase e sem célula-alvo definida, algo que a imunoterapia não conseguia. A mesma classe é usada no câncer do tipo HER2, com o Trastuzumabe Deruxtecana (T-DXd), que, segundo a oncologista, fez mais de 10% do tumor desaparecer quando aplicado no tratamento inicial no lugar da quimioterapia.

No câncer hormonal, já existem comprimidos bloqueadores que integram a hormonioterapia. Na fase metastática, um exame de sangue avalia se o DNA do tumor tem uma mutação específica e, em caso positivo, podem ser usados dois medicamentos aprovados neste ano: o Imlunestrant e o Camizestranto. Para Maíra Tavares, essa é a terapia individualizada mais interessante do último ano.

Apesar dos avanços, o acesso não é igual para todos. Parte dos medicamentos não está disponível no SUS. A oncologista Ana Amélia Viana afirma que as inovações ajudaram a reduzir a mortalidade, mas a realidade não é a mesma em populações vulneráveis. “O que temos no SUS é basicamente quimioterapia e bloqueio hormonal”, diz. Estudos da Abrale indicam que mesmo estados com melhor qualidade de vida não oferecem assistência suficiente às mulheres diagnosticadas, e na rede privada a liberação de terapias aprovadas no exterior também costuma demorar.

Foto: Reprodução/BNews.

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