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Economia

Mercado ainda aposta em transição de poder, mas pesquisa Quaest aumenta cautela de investidores

Para economista da CM Capital, empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula mantém expectativa de mudança de governo, mas incertezas limitam ajustes nos juros e no câmbio.

Mercado ainda aposta em transição de poder, mas pesquisa Quaest aumenta cautela de investidores
Foto: Reprodução/Americanos Hall e Woodford ganham Nobel de Economia de 2026

A corrida eleitoral ao Palácio do Planalto segue influenciando os mercados financeiros. A mais recente pesquisa Quaest, que aponta empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, aumentou a cautela dos investidores diante de um segundo turno cada vez mais acirrado.

Em entrevista ao CNN Money, a economista Carla Argenta, da CM Capital, avaliou que, apesar do aumento das incertezas, ainda predomina entre os investidores a expectativa de uma transição de poder. "Os investidores ainda acreditam que Flávio será o presidente do Brasil em 2027 e que haverá essa transição de poder", afirmou.

Na semana seguinte ao primeiro turno, a Bolsa acumulou alta superior a 8%, em um movimento de euforia. Nos dias seguintes, porém, a intensificação da atuação política do PT e de Lula se refletiu nas pesquisas e aumentou a preocupação do mercado com a possibilidade de continuidade do atual governo.

Segundo a economista, o plano de governo de Flávio Bolsonaro é visto como mais favorável às contas públicas e ao ambiente de negócios. Por outro lado, sinalizações contraditórias da campanha, que combina propostas de redução do Estado com a defesa de políticas que exigem uma estrutura estatal robusta, limitam ajustes mais expressivos nas expectativas. "Existe o benefício da dúvida, existe uma crença, existe uma expectativa de que, em alguma magnitude, a situação das contas públicas irá melhorar e isso será refletido nos juros, mas a magnitude disso é completamente incerta", disse.

Fatores externos também pesam. A divulgação de um índice de inflação nos Estados Unidos acima das expectativas reforçou a perspectiva de manutenção dos juros americanos em patamar elevado, com possíveis efeitos sobre a liquidez global e os mercados emergentes. "A taxa de juros dos Estados Unidos é muito importante para o nível de liquidez global e ela acaba tendo impacto sobre a nossa taxa de juros também", afirmou Argenta.

No câmbio, a economista atribuiu o ajuste de cerca de R$ 0,20 na segunda-feira após o primeiro turno ao "benefício da dúvida" dos investidores em relação a uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro. Segundo ela, essa diferença pode aumentar ou diminuir conforme as propostas apresentadas e a capacidade de implementá-las, sobretudo diante de um Congresso que tem aprovado medidas mais alinhadas à agenda do atual governo.

Foto: Reprodução/Americanos Hall e Woodford ganham Nobel de Economia de 2026.

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