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Economia

Cerveja de sorgo mostra novos usos do grão, cuja produção no Brasil mais que triplicou em cinco anos

Protótipo feito com cereal sem glúten busca valorizar a cultura, que ganha espaço na alimentação humana, no etanol e nas exportações para a China.

Cerveja de sorgo mostra novos usos do grão, cuja produção no Brasil mais que triplicou em cinco anos
Foto: Lavoura de sorgo • Divulgação/LongPing High-Tech

Conhecido por seu uso em rações, o sorgo tenta ganhar valor comercial no Brasil. Uma multinacional de sementes desenvolveu um protótipo de cerveja à base do grão para testar a viabilidade econômica do cereal em produtos premium.

A bebida foi criada pela Advanta Seeds, empresa de origem asiática pertencente ao grupo indiano UPL Limited, com sede global em Dubai e unidade brasileira em Campinas (SP). A receita é do cervejeiro paulistano Alexandre Xerxenevsky, da Xcraft Beer, e segue o estilo American Pale Ale. A cerveja tem cerca de 50% de sorgo na composição e é considerada sem glúten.

Segundo o mestre cervejeiro, o principal desafio foi trabalhar com o grão in natura, já que não há malte de sorgo disponível. O processo exige gelatinização e ação de enzimas para converter o amido em açúcares, o que o torna mais complexo que o uso de maltes convencionais. A receita usa cerca de 70 quilos de sorgo para produzir 300 litros de cerveja.

Apesar de o cereal ser barato, o processamento adicional aumenta o gasto de energia da cervejaria e reduz a vantagem de custo, segundo Xerxenevsky. Lata, rótulo e impostos também continuam os mesmos. No paladar, ele descreve um sabor de cereal que lembra quinoa, "agradável, mas diferente do que a gente está acostumado".

O gerente de marketing da Advanta, Pedro Lima, afirma que a cerveja foi uma forma de mostrar o potencial do grão. Segundo ele, a área de cultivo, estimada entre 800 mil e 900 mil hectares há quatro ou cinco anos, está perto de chegar a 2,5 milhões de hectares, de acordo com o mapeamento interno da empresa. Entre as possibilidades de expansão estão o etanol, inclusive em usinas de milho no Cerrado, e o uso em biscoitos, farinhas e bolos.

Dados da Conab mostram que a produção brasileira de sorgo passou de 2,08 milhões de toneladas na safra 2020/21 para 7,37 milhões em 2025/26, alta de 253,6%. A área plantada cresceu 150,9%, para 2,17 milhões de hectares. Para 2026/27, a projeção é de colheita de 8,03 milhões de toneladas, 9% a mais que no ciclo anterior.

O mercado externo também pesa. A China autorizou a importação do sorgo brasileiro, e, segundo Lima, houve grandes volumes exportados em agosto e setembro. O analista Raphael Bulascoschi, da StoneX, afirma que nesses dois meses o país exportou mais do que em 20 anos e que a área de sorgo deve aumentar, pressionando a de milho.

Foto: Lavoura de sorgo • Divulgação/LongPing High-Tech.

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