Mesmo depois da forte alta do Ibovespa, a Bolsa brasileira ainda pode estar barata quando se compara o preço das ações aos lucros das empresas. A avaliação é do BTG Pactual, que calcula que as ações brasileiras, excluindo Petrobras e Vale, são negociadas a dez vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, segundo relatório de 5 de outubro.
O número está abaixo da média dos últimos dez anos (11,1 vezes) e da média histórica mais ampla (11,9 vezes). Na fotografia da data do relatório, um retorno a essas médias representaria potencial de valorização entre 11% e 20%.
Jerson Zanlorenzi, head da mesa de derivativos do BTG Pactual, chama a reação do mercado de "efeito mola". Para ele, os juros elevados mantiveram o mercado comprimido por cerca de cinco anos, e só a perspectiva de alívio já provoca resposta intensa nas cotações.
Segundo o analista, a queda dos juros reais das NTN-Bs, títulos públicos corrigidos pela inflação, é um dos principais motores da compra de ações pelo investidor institucional. Quando essa remuneração recua, a Bolsa ganha atratividade frente à renda fixa. Ele afirma ainda que os estrangeiros continuam com baixa alocação no mercado brasileiro, o que abre espaço para novas compras se a confiança aumentar.
Na semana passada, após o primeiro turno colocar Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Ibovespa fechou o período em alta de mais de 8%. Zanlorenzi vê agora o índice "andando de lado" até a definição do segundo turno. Na terça-feira (13), a Bolsa fechou em queda de 1,04%, aos 206.887,52 pontos, em dia de ajustes técnicos.
O relatório associa a possível reavaliação das ações à expectativa de medidas mais firmes contra o desequilíbrio fiscal, num cenário de vitória da oposição. Entre as possíveis beneficiárias estão empresas endividadas, small caps, varejistas, incorporadoras voltadas à média e alta renda e companhias ligadas ao mercado de capitais.
Há, porém, um risco externo: se os juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos subirem, o apetite por mercados como o brasileiro pode diminuir, pressionando câmbio e juros de longo prazo no país.
Foto: Reprodução/Americanos Hall e Woodford ganham Nobel de Economia de 2026.






