Economistas avaliam que o Brasil precisará de um ajuste fiscal de pelo menos R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos para conter o avanço da dívida pública. Em cenários mais adversos, o esforço pode chegar a R$ 400 bilhões, a depender da credibilidade do plano, do envolvimento do presidente eleito e das condições dos juros internacionais.
O governo Lula (PT) projeta déficit de R$ 67,3 bilhões em 2026, o equivalente a 0,5% do PIB. A dívida bruta do governo geral já chega a 82,9% do PIB, o maior nível em cinco anos, e tende a subir ainda mais. Para os especialistas, seria preciso alcançar superávit de 2% a 2,5% do PIB até 2030, o que exigiria gastos mais contidos e medidas estruturais para aumentar a arrecadação.
Nas contas do Santander, o esforço mínimo seria de R$ 250 bilhões, enquanto o Barclays calcula R$ 350 bilhões. O ex-secretário do Tesouro Carlos Kawall estima que, com juro real de 4% ao ano, seria necessário superávit de 1,9% do PIB. Se o custo sobe para 5%, o esforço aumenta para 2,7%.
Medidas impopulares, como a desvinculação de benefícios sociais do salário mínimo e a flexibilização dos pisos de Saúde e Educação, são apontadas como barreiras políticas relevantes. Durante a campanha, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro reconheceram a necessidade de ajuste, mas evitaram detalhar propostas.
Roberto Secemski, do Barclays, afirma que medidas ambiciosas são cruciais para construir credibilidade, mesmo sem resultados imediatos. Italo Franca, do Santander, defende reduzir o ritmo de crescimento das despesas, que avançam em média 5,3% ao ano acima da inflação.
Zeina Latif, da Gibraltar Consulting, considera improvável atingir superávit de 2% a 2,5% do PIB no próximo mandato, mas vê possibilidade de saldo positivo de 1% já no primeiro ano, desde que haja envolvimento direto do presidente. Já José Roberto Afonso, do IDP, diz que o ajuste depende de competência e responsabilidade, não apenas de leis ou promessas, e compara o desafio a um voo: é possível programar o tempo, mas não controlar todas as condições.
O consenso entre os especialistas é que estabilizar a dívida exigirá medidas estruturais e duradouras, além de forte compromisso político. Sem isso, o risco é de perda de credibilidade e aumento do custo da dívida.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil.






