Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discutiram as saídas temporárias de presos e a atuação do governo Jair Bolsonaro na pandemia durante o segundo bloco do debate da Band, realizado neste domingo (18). O embate também teve divergências sobre saúde pública, jornada de trabalho e endividamento das famílias.
Na saúde, Flávio citou Claudio Lottenberg como seu ministro da Saúde e defendeu mudanças no SUS. "Quero colocar padrão Albert Einstein no SUS", afirmou. O senador propôs prontuário único, ampliação da telemedicina e uso de Inteligência Artificial para facilitar o atendimento e o acesso a medicamentos.
Lula questionou a proposta e disse que o adversário desconhece a realidade da rede pública. "Será que ele quer privatizar o SUS? Foi isso que entendi", declarou. A discussão foi interrompida pelos mediadores depois que o presidente reclamou que Flávio estaria zombando dele, enquanto o senador disse ter sido chamado de "malandro".
Questionado por Flávio sobre as saidinhas, Lula defendeu a recuperação dos detentos e o contato com familiares. Segundo ele, condenados por crimes hediondos e estupro não têm acesso ao benefício. O petista também afirmou que uma eventual medida para beneficiar Jair Bolsonaro teria de alcançar outros presos, inclusive Daniel Vorcaro.
Sobre a escala 6×1, Flávio disse ter votado pelo fim do modelo após ouvir trabalhadores pelo país. O senador argumentou que a folga precisa vir acompanhada de segurança e melhora do poder de compra. Lula rebateu dizendo que o adversário conhece a realidade dos trabalhadores apenas "por literatura" e comparou indicadores de sua gestão com os do governo Bolsonaro.
A condução da pandemia voltou ao centro das críticas de Lula, que lembrou as mortes por Covid-19 e atacou os ministros da Saúde do governo anterior. Flávio reconheceu que a saúde não foi a melhor área da gestão do pai, mas defendeu o próprio trabalho durante a emergência sanitária. Ao ouvir as acusações sobre os hospitais federais do Rio de Janeiro, rebateu: "Mais uma vez, completamente irresponsável, vomitando um monte de mentiras".
Na economia, Flávio prometeu manter o Bolsa Família e criar o Ministério da Prosperidade. Também apresentou proposta de renegociação de dívidas, com compra dos débitos junto aos bancos, congelamento por seis meses para pessoas físicas e carência de um ano para empresas, acompanhada de queda dos juros. O debate, promovido também pelo Estadão e por emissoras como Cultura, Gazeta e Jovem Pan, foi o primeiro confronto entre os dois candidatos.
Foto: Quem são os candidatos ao Senado pelo Pará em 2026.






