Um porteiro foi algemado e levado à Central de Flagrantes na noite desta sexta-feira (16), depois de participar de um panelaço contra o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), em Maceió (AL). O protesto aconteceu na área externa de um condomínio no bairro de Ponta Verde, região nobre da capital alagoana.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL), a Polícia Militar foi chamada por um morador vizinho que teria se incomodado com o ato. O porteiro, identificado como José Edmilson dos Santos, foi a única pessoa conduzida à delegacia. Ele assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foi liberado, e a panela que usava no protesto foi apreendida.
Testemunhas relataram que a ocorrência começou após uma discussão com um motorista que passava pela avenida Senador Rui Palmeira, onde acontecia a manifestação. O homem teria xingado os participantes, feito gestos obscenos, ameaçado os manifestantes e tentado provocar uma briga. Depois do desentendimento, ele teria acionado a polícia.
Edmilson trabalhava na portaria do condomínio quando se juntou aos moradores no panelaço. O assistente social Felipe Leonardo, que participou da ação, contou como foi a abordagem: "Ele [Edmilson] estava falando muito tranquilo: 'Eu não estou fazendo nada de errado, estou no meu espaço de trabalho'. Eles entraram na guarita e um dos policiais falou para o comandante: 'Comandante, eu vou algemar'".
Em nota, a Polícia Militar de Alagoas informou que a Corregedoria-Geral da corporação vai apurar a conduta dos agentes envolvidos. O procedimento deve esclarecer as circunstâncias da abordagem e os motivos da condução do trabalhador.
O Ministério Público Eleitoral anunciou a abertura de um procedimento administrativo para apurar o caso e pedir informações às polícias Militar e Civil. A OAB em Alagoas disse que procurou a Polícia Civil e o Ministério Público estadual para obter esclarecimentos sobre a legalidade da abordagem.
O advogado Mateus Gonzaga, que defende o porteiro, criticou a ação policial e classificou o episódio como violação à liberdade de expressão e ao direito de manifestação pacífica.
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