Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelam bastidores da produção de vídeos publicados pela advogada e apresentadora Gabriela Prioli sobre o banco. De acordo com reportagem do Estadão, os conteúdos eram submetidos ao banqueiro e à equipe de comunicação, embora tenham sido apresentados como opinião pessoal.
Os diálogos indicam que Prioli teria firmado contrato de 12 meses com a instituição e recebido sugestões de roteiro e pedidos de alteração. Em conversa de abril de 2025, a então superintendente de Comunicação e Marketing do Master, Ana Matos, informou a Vorcaro que o contrato estava assinado e citou uma estratégia paralela com cerca de 15 influenciadores de grande alcance, voltada a defender os negócios do banco e reagir às críticas da imprensa.
As mensagens mostram ainda que Vorcaro acompanhava a produção. Em abril de 2025, ele sugeriu que um texto de Prioli sobre a sensação de exclusão na alta sociedade paulistana citasse a situação dele e os ataques que dizia sofrer. No mesmo mês, pediu um vídeo sobre os CDBs do Master, e a influenciadora afirmou em um dos conteúdos que esse tipo de investimento tinha proteção do Fundo Garantidor de Créditos, respeitadas as regras e os limites do mecanismo.
Em maio de 2025, Vorcaro escreveu que a estratégia deveria mirar jornalistas, e não o BTG. Em julho, Ana Matos enviou a ele um vídeo gravado por Prioli antes da publicação. O banqueiro não teria aprovado a primeira versão e pediu mudanças. Dois dias depois, a funcionária disse que as solicitações haviam sido incorporadas e destacou que a influenciadora tinha mais de seis milhões de seguidores. Vorcaro sugeriu adiar a divulgação por causa da repercussão de outro assunto.
Em janeiro de 2026, Prioli já havia publicado um vídeo negando ter sido contratada pelo Master e afirmando que não integrou a rede de influenciadores que, segundo as acusações, teria sido mobilizada para atacar o Banco Central durante a análise da operação envolvendo o banco e o BRB.
Em nota, a apresentadora negou ter recebido dinheiro de Vorcaro e disse que nunca foi procurada por ele nem manteve relação comercial com o empresário ou com empresas ligadas ao banco. O texto afirma que ele nunca editou, aprovou ou orientou qualquer conteúdo dela e ressalta que as mensagens são conversas entre o banqueiro e uma executiva, não diálogos com ela.
A equipe de Prioli questionou onde estão o suposto contrato e os comprovantes de pagamento, e disse que todo o faturamento dela é documentado por notas fiscais, nenhuma emitida para o Master ou empresas ligadas a Vorcaro. A nota acrescenta que medidas cabíveis estão sendo tomadas. Ana Matos foi procurada pelo Estadão, mas não respondeu.
Foto: Divulgação.






