O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pagou R$ 1,2 milhão ao antigo proprietário de um apartamento comprado por Isaac Sidney, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). A informação consta em mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) e divulgadas nesta quinta-feira (15) pela colunista Natalia Portinari, do Uol.
Os valores foram transferidos diretamente ao vendedor de um duplex de 410 metros quadrados na Vila Olímpia, em São Paulo, mas não aparecem na escritura. O imóvel foi adquirido por R$ 7,3 milhões em novembro de 2020.
Segundo a reportagem, o montante foi dividido em três pagamentos. O primeiro, de cerca de R$ 535 mil, quitou o financiamento que o vendedor tinha com o Itaú. O segundo, de R$ 534 mil, foi destinado à construtora Yuny como sinal pela compra de outro imóvel pelo vendedor. O terceiro, de R$ 131 mil, foi para a conta de Eduardo Barcellos, antigo dono do apartamento.
As mensagens também indicam que Vorcaro bancou parte do aluguel do imóvel antes da compra. O aluguel pedido era de R$ 50 mil por mês, mas o contrato registrou R$ 15 mil, valor pago por Sidney. Pelas contas do vendedor, Vorcaro arcaria com a diferença por 18 meses, estimada em R$ 946 mil, além dos impostos.
Na escritura, consta que Sidney pagou R$ 1,8 milhão com recursos próprios e financiou R$ 5,5 milhões junto ao Banco Master. O empréstimo foi quitado 13 meses depois, antes do vencimento da primeira parcela. Sidney disse ter usado ativos para pagar a dívida, que teria sido cedida a um terceiro, mas não detalhou quais.
A reportagem relata ainda conversas sobre processos regulatórios. Em uma delas, Sidney enviou a Vorcaro um despacho da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em mensagens de 2023, ele disse ter saído em defesa do banqueiro diante de dirigentes do Banco Central. Em 2024, segundo os diálogos, ajudou a desfazer ressalvas ao Master quando o ex-ministro Henrique Meirelles pediu referências.
Na proposta de delação apresentada à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR), Vorcaro atribuiu a compra do apartamento a uma suposta contrapartida pela influência de Sidney junto ao Banco Central. A proposta foi rejeitada por falta de provas.
Sidney afirmou desconhecer os pagamentos e negou ter recebido qualquer benefício. Segundo ele, eventuais acertos entre Vorcaro e o antigo dono decorreriam de negociações das quais não participou. Ele disse ainda que as despesas com um flat foram pagas como honorários advocatícios e que as conversas refletiam interlocuções institucionais. “Jamais recebi qualquer bem, nem houve transferência para meu nome, a qualquer título, de nenhuma propriedade do ex-controlador do banco”, declarou.
Barcellos disse ao portal não se lembrar de ter vendido o imóvel e encerrou a ligação ao ser confrontado com os detalhes das mensagens.
Foto: Reprodução/BNews.






