A PPSA (Pré-Sal Petróleo) avalia substituir, no futuro, o Henry Hub, referência americana adotada no primeiro leilão de gás natural da União para a indústria, por um indicador brasileiro ou sul-americano. O diretor-presidente da estatal, Luis Fernando Paroli, afirmou que a troca dependerá do desenvolvimento do mercado e da existência de um indexador confiável que reflita a oferta e a demanda na região.
O leilão está marcado para 22 de outubro, com oferta de até 1,1 milhão de metros cúbicos por dia. Pelo edital, o preço será calculado mensalmente com base em 115% da média das cotações diárias dos contratos futuros do Henry Hub no mês anterior ao fornecimento, somados a um adicional definido na disputa.
"Por enquanto, a gente está usando o Henry Hub", afirmou Paroli. Segundo ele, a troca pode acontecer assim que houver um indicador de confiança. O executivo citou o fornecimento de gás da Bolívia ao Brasil e a perspectiva de receber gás da Argentina ao defender uma referência regional.
Paroli defendeu a escolha do Henry Hub por considerar que ele traz mais estabilidade aos compradores do que o Brent, referência internacional do petróleo, mais sujeita a tensões geopolíticas. Ele reconheceu, porém, que o Henry Hub também oscila, principalmente em invernos rigorosos nos Estados Unidos, mas avaliou que, no longo prazo, é mais estável.
Sobre como conciliar a remuneração da União com preços competitivos, o presidente da PPSA disse que o equilíbrio virá do leilão. Segundo ele, a promessa é oferecer preços iniciais na ordem de US$ 5 por milhão de BTU. A previsão é que o gás chegue à indústria por cerca de US$ 9 por milhão de BTU, já com impostos, transporte e distribuição.
A oferta será dividida em 110 lotes de 10 mil metros cúbicos diários. O fornecimento deve começar em 1º de março de 2027 e terminar em 31 de dezembro do mesmo ano. A disputa é voltada a cinco grupos da indústria de base: químico e petroquímico; siderúrgico, metalúrgico e mineração; ceramista; fertilizantes; e vidreiro.
O gás será entregue na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, da Petrobras. Os compradores, ou as comercializadoras indicadas por eles, ficam responsáveis por contratar a infraestrutura para levar o produto às fábricas, e esses custos e tributos devem entrar no cálculo do preço final.
Foto: Reprodução/• André Motta de Souza.






