Transformar a fachada de casas residenciais em cenário de novelas e outras produções audiovisuais virou fonte de renda em bairros urbanos. No bairro de Guadalupe, na Zona Norte do Rio de Janeiro, o morador Jorge Silveira completa 14 anos cedendo o exterior do imóvel para equipes de televisão.
A atividade mexe com a rotina do entorno e abre espaço para serviços e consumo perto dos locais de filmagem. Durante as gravações, padarias, mercearias e pequenos comerciantes registram alta no faturamento diário, por causa do maior fluxo de pessoas.
As bases de filmagem também geram vagas temporárias para moradores da região, em funções de apoio logístico, segurança, alimentação e limpeza, ao longo de todo o período de produção.
Para usar um imóvel particular em produções de TV ou publicidade, é preciso formalizar a negociação. A cessão temporária tem respaldo na Lei Federal 8.245, a Lei do Inquilinato, combinada com contratos específicos de locação temporária e de direito de uso de imagem.
Segundo especialistas em direito imobiliário, o documento deve definir prazos rígidos de ocupação, valores de indenização e um plano de desocupação. Entre os requisitos estão seguro contra danos materiais, cobertura de responsabilidade civil e limite de horários de gravação, para preservar o sossego da vizinhança.
Na capital fluminense, o uso das vias públicas para caminhões de externa, fiação e equipamentos depende de autorização da Rio Film Commission, órgão ligado à Secretaria Municipal de Cultura. A procura por fachadas segue aquecida com a continuidade de grandes produções da TV aberta, como as novas temporadas e novelas anunciadas pela TV Globo para os próximos anos.
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