O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, avisou a lideranças do Centrão que não pretende apoiar a permanência de Hugo Motta (Republicanos-PB) na presidência da Câmara dos Deputados nem a de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) na do Senado a partir de 2027.
O recado foi dado durante as negociações que levaram União Brasil, PP e Republicanos a se aproximarem da candidatura do PL no segundo turno. Flávio tratou do tema em conversas diretas e indiretas com os presidentes das siglas e rejeitou construir acordos sobre a recondução dos atuais comandantes das duas Casas.
O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, admitiu a dificuldade de encontrar uma solução favorável a Motta. "Infelizmente, não. Eu tentei", afirmou. Já o presidente do PP, Ciro Nogueira, sinalizou a pessoas próximas que não pretende se envolver com a mesma intensidade em todas as disputas pelo comando do Congresso e disse ser preciso "escolher suas brigas". Antônio Rueda, do União Brasil, nem teria tentado avançar em um acordo para Alcolumbre.
A prioridade do grupo ligado a Flávio é a eleição para a presidência do Senado, e o nome do PL é o do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial. Na Câmara, a orientação é deixar que os partidos do Centrão discutam internamente um nome para suceder Motta, sob influência da bancada do PL.
O cenário mudou depois do primeiro turno, que ampliou a presença da direita bolsonarista no Congresso. O PL elegeu a maior bancada da Câmara, com 121 deputados, e terá 28 senadores a partir de fevereiro de 2027.
Alcolumbre enfrenta resistência no Senado, principalmente por não dar andamento aos pedidos de impeachment contra ministros do STF, sobretudo Alexandre de Moraes. Motta, por sua vez, trabalhava pela recondução com apoio do Centrão e de setores da base governista e fez campanha aberta ao presidente Lula na Paraíba. Ambos saíram enfraquecidos das urnas em seus estados: o grupo de Alcolumbre perdeu no Amapá e Motta não conseguiu eleger o pai ao Senado.
A resistência de Flávio não significa, por si só, que os dois estejam fora da disputa, já que ainda podem tentar reconstruir suas bases de apoio. Segundo interlocutores das negociações, o que mudou foi a disposição dos principais partidos do Centrão de assumir compromissos antecipados em favor de Motta e Alcolumbre.
Foto: Presidente do TSE não pode ter lado, diz Lula.






