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Grupo Carbon, gigante da blindagem de carros, pede recuperação extrajudicial para renegociar dívida de R$ 371,5 milhões

Empresa enfrenta três ações de despejo por atraso de aluguel e diz que o principal problema é o endividamento, não a operação.

Grupo Carbon, gigante da blindagem de carros, pede recuperação extrajudicial para renegociar dívida de R$ 371,5 milhões
Foto: Divulgação

O Grupo Carbon, que se apresenta como líder mundial em blindagem de veículos civis, pediu recuperação extrajudicial à Justiça de São Paulo para renegociar R$ 371,5 milhões em dívidas. O pedido foi protocolado na segunda-feira (5) pela C Blindados e por suas controladas Opera Glass e Vertco Blindagem.

Segundo a documentação enviada à Justiça, 47,6% dos créditos já aderiram ao plano de reestruturação. A empresa afirma que pretendia apresentar o pedido só depois de obter o apoio da maioria dos credores, mas antecipou a medida por causa de três ações de despejo por falta de pagamento de aluguel.

As ações envolvem o galpão de Barueri, na Grande São Paulo, onde fica a sede, a fábrica de vidros blindados em Jarinu, no interior paulista, e o showroom na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Os aluguéis somam R$ 459 mil por mês. O grupo pediu liminar para impedir a desocupação durante a suspensão das cobranças, e a ação de Barueri está pronta para julgamento após conciliação sem acordo.

O pedido reúne cerca de 600 credores e 2.700 títulos de dívida, concentrados principalmente na C Blindados. O maior credor é o fundo Amadeus, com R$ 95,3 milhões, seguido pelo Banco Digimais, com R$ 61,4 milhões em debêntures, e pelo fundo SSG, com R$ 38,4 milhões. Amadeus, SSG e Bradesco aderiram ao plano, enquanto Digimais, Banco do Brasil, Santander e Porto Seguro não haviam aderido.

A Carbon atribui a crise ao descompasso entre o endividamento para expandir a produção e o prazo para recuperar os investimentos. Nos últimos cinco anos, afirma ter aplicado mais de R$ 180 milhões na fabricação própria de vidros e materiais balísticos, sendo cerca de R$ 80 milhões na unidade de Jarinu. A fábrica, prevista para maio de 2025, só começou a operar em abril de 2026.

O custo médio das dívidas é de 22%. Os vencimentos dos próximos 12 meses somam R$ 139 milhões, contra geração de caixa de R$ 52 milhões. Mesmo assim, o grupo sustenta que a operação é viável: em 2025, a receita líquida subiu 45%, para R$ 673 milhões, e o Ebitda passou de R$ 15 milhões para R$ 41 milhões.

Fundado em 2015, o grupo diz responder por cerca de 16% das blindagens de veículos civis no país, com aproximadamente 1.300 funcionários e prestadores diretos, e mais de 6 mil veículos blindados produzidos em 2025. A companhia é homologada por montadoras como Volvo, Jaguar Land Rover, Toyota e BYD.

Foto: Divulgação.

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