A Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) assinou um contrato de R$ 150 mil com a Ecoari, startup de Isadora Alencar, filha do senador Otto Alencar (PSD-BA). O acordo, firmado em maio de 2026 e com vigência até dezembro, prevê a implantação de três ecopontos digitais em Salvador.
O contrato foi feito na modalidade de patrocínio, que permite a contratação por inexigibilidade de licitação, ou seja, sem disputa pública. A informação foi divulgada inicialmente pela coluna de Ramiro Brites, do Metrópoles.
Em nota, a Embasa disse que a proposta passou por avaliação técnica de uma comissão interna e cumpriu todos os trâmites legais exigidos. A estatal também informou que o pagamento está condicionado à comprovação das entregas previstas no projeto aprovado.
A Ecoari é um aplicativo que oferece pontos e sorteios de prêmios a quem descarta resíduos recicláveis em locais específicos. Segundo a empresa, ela foi contratada para desenvolver programas de incentivo ao descarte correto de resíduos.
"São programas essenciais para reduzir ou mesmo evitar alagamentos e entupimentos de redes públicas de esgoto e drenagem fluvial, problemas que, com frequência, castigam boa parte da população de Salvador durante o período de chuvas", afirmou a startup.
A empresa ganhou visibilidade após reportagem da Folha de S.Paulo apontar que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, financiou a startup. Segundo a publicação, a Ecoari mantinha no Banco Master ativos de mais de R$ 9 milhões em 2024 e R$ 2,8 milhões em 2025, valores considerados incompatíveis com o seu porte. A B3 teria alertado o Coaf sobre a situação.
À Folha, Isadora Alencar afirmou que as movimentações correspondiam a um "empréstimo regular", e sua defesa disse que as atividades estão dentro da legalidade e da transparência. Procurado para comentar o contrato com a Embasa, o senador Otto Alencar não quis se pronunciar.
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