O câncer de mama nem sempre se manifesta por meio de um nódulo. A mastologista Sálvia Maria Canguçu, coordenadora do Curso de Oncoplastia e Reconstrução Mamária do Hospital Aristides Maltez, em Salvador, alerta que outros sinais no corpo também merecem investigação e não devem ser ignorados.
O alerta surge em meio ao aumento de casos no país. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), devem surgir mais de 78 mil novos diagnósticos de câncer de mama no Brasil em 2026, cerca de 5 mil a mais que em 2025, alta aproximada de 6,8%. Para detectar a doença cedo, entidades médicas recomendam, de forma geral, mamografia e exame clínico anuais a partir dos 40 anos.
De acordo com a médica, integrante do Centro Estadual de Oncologia (Cican), ligado à Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), a doença é, na maioria das vezes, assintomática, e o principal meio de identificação é o rastreamento por imagem. Ela lembra, porém, que existe o chamado câncer de intervalo. “É o chamado câncer de intervalo e, às vezes, ele é agressivo, sim. Ele aparece naquele período entre uma mamografia e outra e cresce rapidamente”, explicou.
Entre os sinais que podem indicar o problema estão mudanças no formato ou no tamanho da mama, com uma ficando maior que a outra, além de retração da pele ou do mamilo. Também podem surgir áreas endurecidas ou com espessamento, pele com aspecto de casca de laranja, vermelhidão persistente e abaulamento. No mamilo, ferimento persistente, descamação e secreção espontânea, principalmente com sangue e em apenas uma mama, merecem atenção.
Nem toda alteração significa câncer, mas a recomendação é procurar avaliação. Segundo Sálvia Canguçu, é comum que mulheres tratem mudanças na pele com pomada e não busquem ajuda. “Quando não tem caroço, assusta menos”, contou. Ela alerta que a demora pode levar a um diagnóstico tardio.
A mastologista também destaca o papel do autoexame, que não serve como método de rastreio, mas como forma de autoconhecimento. “Se ela não se olha, ela não vai perceber”, disse. Em caso de alteração, a procura deve ser por um mastologista; se não houver acesso, é possível consultar o ginecologista, que pode pedir mamografia e ultrassom e encaminhar a um especialista.
No Sistema Único de Saúde (SUS), o primeiro passo é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou a Unidade de Saúde da Família (USF) mais próxima da residência.
A médica ainda reforça a importância do autocuidado na prevenção. Segundo ela, estudos indicam que hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e evitar cigarro e bebida, podem reduzir em até 30% o risco de câncer de mama ao longo da vida.
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