Partidos do centrão que perderam espaço na Câmara dos Deputados e no Senado passaram a se aproximar de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Algumas legendas que ficaram neutras no primeiro turno já declararam apoio ao candidato, e outras liberaram seus filiados ou negociam uma aliança com o senador. As informações são de um levantamento do Uol.
PSD, PP, União Brasil, Republicanos, MDB e Podemos elegeram juntos 234 deputados federais para a próxima legislatura. Hoje, as seis siglas somam 253 cadeiras na Câmara. No Senado, o grupo passará de 42 para 32 vagas, e o PSD foi o mais afetado, com queda de 14 para cinco cadeiras.
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou à Folha de S.Paulo que "todos os partidos de centro foram atingidos pelo PL". Ele minimizou o resultado do próprio partido e destacou que União Brasil, PP, Republicanos e MDB perderam mais deputados que o PSD.
A federação formada por PP e União Brasil revisou a posição do primeiro turno e anunciou apoio a Flávio na terça-feira (6). No dia seguinte, o Republicanos também declarou apoio. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, foi apontado como principal articulador do acordo.
MDB e PSD decidiram liberar seus filiados para escolher entre Lula e Flávio, mas lideranças das duas siglas já manifestaram apoio ao senador. É o caso do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), que ficou em quinto lugar na disputa presidencial e se reuniu com Flávio nesta semana, e do ex-presidente Michel Temer (MDB). Flávio ainda negocia com o Podemos e deve se reunir com lideranças da legenda na manhã desta quinta-feira (8).
Para o cientista político Leandro Consentino, professor do Insper, os partidos entenderam que Lula era favorito a um quarto mandato, o que não se confirmou. "Dado que Flávio foi ao segundo turno como favorito, a expectativa de vitória movimenta os partidos que querem espaço em um eventual governo", disse.
Consentino avalia que o resultado das urnas deve mudar o equilíbrio de forças no Congresso. Segundo ele, as bancadas conquistadas pelo PL e os governadores eleitos pela direita indicam uma força inédita desde a redemocratização, sem espaço para "uma direita mais pragmática como era o centrão".
Foto: Divulgação.






