As críticas à primeira-dama Janja Lula da Silva ganharam espaço nos bastidores do PT depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo relatos, integrantes da campanha passaram a questionar a participação dela em reuniões e eventos eleitorais e sua influência sobre a comunicação do presidente.
Na quarta-feira (7), em Brasília, Lula se reuniu com congressistas jovens do PT, em encontro que buscava aproximá-lo de parlamentares com forte presença nas redes sociais. Ali, o presidente disse considerar a campanha de 2026 a “menos organizada” de que participou desde 1989. Ele também reconheceu a necessidade de ampliar sua presença digital e afirmou receber cobranças de Janja e da equipe para produzir mais conteúdo.
As críticas deixaram de ficar restritas aos bastidores quando a ex-senadora Kátia Abreu (PT), coordenadora da campanha de Lula no Tocantins, disse à GloboNews que Janja estaria ocupando mais espaço do que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na campanha. Kátia afirmou que a avaliação era estratégica e eleitoral e que não pretendia desqualificar a primeira-dama. A mesma crítica já havia sido apresentada por ela um dia antes, em reunião da coordenação nacional da campanha que discutia mudanças para o segundo turno.
Um levantamento aponta que Janja participou de 29 eventos de campanha entre 16 de agosto e 3 de outubro, quatro deles sem a presença de Lula. Ela também manteve agenda própria, voltada principalmente a temas ligados às mulheres. Há ainda incômodo, segundo os relatos, com sua presença em comícios e com os momentos em que canta o jingle “Tapete vermelho”, em tom gospel.
Nos bastidores, também foi lembrado o episódio de maio de 2025, na China, quando Janja pediu a palavra em encontro de Lula com o presidente Xi Jinping e falou sobre os impactos das plataformas digitais, em especial o TikTok, sobre mulheres e crianças. Na época, Lula defendeu a participação da esposa e disse que a pergunta inicial sobre regulamentação das plataformas havia sido dele.
Durante a apuração do primeiro turno, Lula acompanhou o resultado em uma sala reservada de um hotel em São Paulo, com cerca de 40 pessoas. As televisões ficaram desligadas, parte dos presentes acompanhava pelos celulares e o presidente demonstrou irritação em alguns momentos. Janja teria ficado mais reservada.
Ao final da contagem, Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, e a disputa foi para o segundo turno. As críticas seguem concentradas nos bastidores, e a primeira-dama continua participando das atividades eleitorais e das ações de comunicação da campanha.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.






