
Giszele de Jesus dos Anjos Paixão, ex-presidente do Conselho Regional de Enfermagem da Bahia (Coren-BA), tornou-se alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) em novembro de 2023. A ascensão de Giszele à presidência ocorreu em um contexto de profunda instabilidade na autarquia, tendo ela assumido o comando após um período em que lideranças anteriores foram afastadas sob graves denúncias de corrupção. O caso mais notório que precedeu sua gestão foi o de Jimi Hendrex Medeiros de Souza, afastado em 2021 após o Cofen identificar indícios de sua participação em um esquema de “rachadinha” para quitar dívidas de campanha eleitoral. Na mesma ocasião, a primeira-tesoureira Rosane Santiago também foi removida de suas funções, evidenciando uma crise sucessória que Giszele, ironicamente, agora também enfrenta sob acusações semelhantes.
As investigações atuais contra a ex-presidente e sua tesoureira, Kátia Nascimento Gama, fundamentam-se em relatórios da Corregedoria Geral do Cofen que apontam substanciais indícios de fraudes em licitações e repasse de valores indevidos. Além dos ilícitos financeiros, Giszele é acusada de utilizar a máquina administrativa para autopromoção durante o pleito de 2023, o que incluiu a distribuição de brindes em eventos oficiais da autarquia e o uso irregular das redes sociais institucionais para favorecer sua chapa. Outras irregularidades citadas no parecer federal envolvem o uso de superávit financeiro sem autorização do Cofen para o custeio da Semana da Enfermagem e pagamento de salários, além da suspeita de nepotismo na nomeação da presidente da comissão eleitoral.
O clima de tensão na gestão de Giszele Paixão também se estendeu ao campo administrativo, culminando em uma denúncia formal de assédio moral apresentada por uma ex-gerente administrativa. A denunciante relatou ter sido diagnosticada com Síndrome de Burnout devido a humilhações públicas, gritos e pressões indevidas exercidas pela ex-presidente para acelerar processos licitatórios que ainda não possuíam a documentação completa. Em defesa, o Coren-BA negou as acusações de assédio na época, classificando a denúncia como uma manobra de “viés político” destinada a desabonar a reputação da diretoria.
Apesar do uso da estrutura do conselho, Giszele Paixão foi derrotada na tentativa de reeleição em outubro de 2023, terminando o pleito em segundo lugar, atrás das chapas vencedoras. O Cofen reiterou que a abertura do PAD é necessária para apurar detalhadamente os fatos e garantir o rigor ético no exercício das funções profissionais. Em posicionamento oficial, o Coren-BA afirmou que colaborará integralmente com as investigações federais, declarando acreditar que o processo conduzido com imparcialidade comprovará a integridade das conselheiras e resguardará os princípios normativos da enfermagem baiana.
