O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Salvador, que completou 20 anos em 2026, enfrenta um déficit de 256 profissionais de enfermagem, o equivalente a 48,5% do quadro necessário. O dado foi informado pela área técnica da Chefia de Enfermagem do serviço, em resposta a um pedido feito via Lei de Acesso à Informação (LAI).
Atualmente, a equipe conta com 187 técnicos em enfermagem, mas precisa da recomposição de outros 222. Entre os enfermeiros, são 85 profissionais em atividade e o déficit é de, ao menos, mais 34. O quadro de condutores socorristas também tem carência, menor: faltam três profissionais.
A área técnica classificou a situação como uma "lacuna operacional" e afirmou que a recomposição é indispensável para cobrir as escalas de plantão, manter o Índice de Segurança Técnico (IST), usado para cobrir ausências legais, férias e afastamentos, e garantir a continuidade e a segurança da assistência. O setor disse ainda que a gestão do SAMU acompanha o tema e adota medidas administrativas para contornar o problema.
A análise das escalas de junho e julho mostrou que, das 50 unidades de suporte básico, 45 têm equipes próprias, mas nenhuma conseguiu funcionar de forma ininterrupta durante todo o mês. Em média, apenas 29 ambulâncias operavam por dia, já que as demais ficavam desativadas em algum período por falta de profissionais para formar a equipe mínima, composta por um técnico de enfermagem e um condutor socorrista.
Um manifesto enviado à Secretaria Municipal da Saúde (SMS) por profissionais de enfermagem do SAMU, com dados de setembro, reforça o cenário. Entre os dias 1º e 27, em média 23,67 ambulâncias ficaram desativadas por dia, o que representa 38,17% da frota de 62 veículos. Entre as unidades de suporte básico, a indisponibilidade chegou a 43,41%. O documento também relata que, em 16 de setembro, uma ambulância de suporte avançado com médico e condutor, sem enfermeiro, teria sido acionada para transportar paciente de risco vermelho, embora a composição mínima exija três profissionais.
Também em setembro, o Conselho Regional de Enfermagem da Bahia (Coren-BA) denunciou o funcionamento de ambulâncias de suporte avançado sem enfermeiros e notificou o SAMU, cobrando planejamento e dimensionamento adequado da força de trabalho.
O pedido de informações foi feito à SMS em 26 de junho de 2026, e a resposta só foi enviada nesta quinta-feira (15), cerca de 80 dias após o fim do prazo máximo previsto em lei. Questionamentos sobre ocorrências sem ambulância disponível, tempo médio de resposta e chamados recusados ou não atendidos ficaram sem resposta, sob a justificativa de que a extração de dados do sistema não se enquadra nas obrigações da área técnica nos termos da LAI.
Um concurso aberto em maio deste ano não previu vagas para enfermeiros e técnicos em enfermagem. Essas categorias foram contempladas em certame de 2024, com seis vagas para enfermeiros e duas para técnicos, todas já convocadas, número bem abaixo da necessidade agora reconhecida.
Foto: Reprodução/BNews.






