O mercado financeiro brasileiro vive uma ressaca após o clima de euforia da semana passada, quando o Ibovespa renovou recordes, o dólar caiu para menos de R$ 5 e os juros futuros recuaram em toda a curva. Nos últimos dias, o cenário mudou: a bolsa fechou no negativo nas três últimas sessões e caminha para encerrar a semana com o pior resultado desde agosto.
Nesta quinta-feira (15), o Ibovespa caiu mais de 1%, afastando-se do pico de 209 mil pontos registrado na semana passada. No acumulado da semana, a desvalorização é de quase 3,3%. O dólar voltou ao patamar próximo de R$ 5,10, e os contratos de juros futuros apagaram boa parte da queda observada após o primeiro turno.
O que pesou foram as pesquisas eleitorais. O Datafolha, divulgado após o fechamento do mercado, mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula (PT). Com margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado indica empate técnico. A Quaest já havia apontado o senador com 46% das intenções de voto no segundo turno, e o presidente com 44%.
Para o economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, o mercado considera que uma vitória de Flávio mudaria os rumos da política fiscal, especialmente com a maioria do PL e aliados no Congresso. Ele afirma que, como o mercado já havia precificado probabilidade superior a 60% de vitória do senador, é natural o ajuste para baixo dessas apostas.
Os analistas também levam em conta a aprovação, pelo Senado, do fim da escala 6×1, por 75 votos a 1, na terça-feira (14). O texto, defendido pelo governo, aguarda promulgação. Flávio Bolsonaro havia se posicionado contra o projeto, mas depois passou a dizer que votaria a favor. Para Paulo Duarte, economista-chefe da Valor Investimentos, as pessoas enxergam que a eleição presidencial ainda não está decidida.
Nas últimas semanas, o governo também anunciou aumento do Bolsa Família, o fim das bets e novas medidas para microempreendedores individuais. Rodrigo Marcatti, CEO da Veedha Investimentos, lembra que ainda há prazo até o segundo turno, em 25 de outubro, para novas ações. Segundo ele, o governo vai usar a caneta para tentar fechar a diferença nas urnas.
Foto: Reprodução/Americanos Hall e Woodford ganham Nobel de Economia de 2026.






