A redução da dependência de fertilizantes importados aparece entre as propostas de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o agronegócio. Os dois candidatos à Presidência ligam a produção nacional à segurança alimentar, mas divergem sobre como ampliar a oferta no país.
O plano de Flávio Bolsonaro propõe aproveitar as reservas brasileiras de potássio e fosfato e estimular a fabricação de fertilizantes nitrogenados, como a ureia, a partir do gás natural. O documento relaciona a dependência externa à exposição do produtor rural às oscilações de preços internacionais.
O candidato também quer expandir a infraestrutura de escoamento e transporte de gás natural, com participação de investidores privados, e conectar à malha estados que ainda não têm acesso. O plano defende "segurança jurídica e regras estáveis" para atrair investimentos e propõe destravar a exploração de gás não convencional por fraturamento hidráulico, o fracking, técnica criticada por ambientalistas.
Há limites apontados no texto. O teor de fósforo das reservas brasileiras é inferior ao de fornecedores como o Marrocos, e a produção nacional de potássio responde por menos de 3% do consumo do país, segundo o Cepea, da Esalq-USP. O plano não traz metas de produção, valores de investimento nem prazos.
Já o plano de Lula prevê acelerar a produção doméstica, com papel central da Petrobras. O documento cita unidades em Sergipe, Bahia e Paraná e a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), que prevê investimentos superiores a R$ 5 bilhões, segundo a Agência Brasil, e integra o Novo PAC.
O petista também propõe ampliar o fomento aos bioinsumos para reduzir o uso de fertilizantes químicos importados, além de medidas de incentivo à agroecologia, à produção orgânica e à agricultura familiar. A proposta faz parte de uma estratégia de política industrial e transição energética, que inclui atrair para o Nordeste fábricas de fertilizantes, siderúrgicas e indústrias químicas movidas a energia renovável. Assim como o de Flávio, o plano de Lula não define metas quantitativas próprias nem cronograma completo de investimentos para o setor.
O Brasil responde por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes, segundo o Ministério da Agricultura, e soja, milho e cana-de-açúcar concentram mais de 73% da demanda doméstica. O Plano Nacional de Fertilizantes, lançado em 2022, tem como objetivo elevar a produção nacional para atender de 45% a 50% da demanda interna até 2050.






