A aprovação da PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1, nesta quarta-feira (14), e as recentes manifestações de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são um respiro para a campanha do petista, mas dificilmente bastarão para atrair o eleitor que não se identifica com Lula nem com o campo bolsonarista. A avaliação é do cientista político Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice.
Segundo ele, a mobilização nas ruas e a narrativa em torno da PEC fortalecem o grupo que já aderiu a Lula. "Sem dúvida, o Lula conseguiu um respiro a partir da mobilização", afirmou.
O analista ponderou, porém, que os atos foram acompanhados de episódios capazes de afastar o eleitor indeciso, como queima de bandeiras, exibição da bandeira da Palestina e depredação de estações de metrô. Para ele, as imagens lembram os protestos de 2013, com ações atribuídas a grupos radicais, o que gera dúvidas sobre a capacidade de a mobilização atrair quem decidirá a eleição.
Aragão também avaliou que a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) relaxou depois do bom desempenho no primeiro turno. De acordo com ele, os trackings chegaram a registrar seis pontos de vantagem para Flávio, mas houve refluxo a partir de segunda-feira (12), quando o engajamento de Lula nas redes sociais atingiu o maior nível desde o início da campanha.
Mesmo com a recuperação de Lula nos indicadores, o analista ressaltou que a disputa segue muito apertada. "Hoje já tem trackings que já dá um ligeiro crescimento para o Flávio", observou.
Ele ainda chamou atenção para a PEC da Segurança Pública, que deve ser votada em breve e inclui a discussão sobre a redução da maioridade penal. Para Aragão, o tema é uma espécie de armadilha para os governistas, já que muitos eleitores concordam com a proposta.
Foto: Governo deixa PEC da Segurança de lado e prioriza 6X1.






