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Brasil

Mensagens ligam Vorcaro a rede de prostituição de R$ 4,3 milhões que recrutava mulheres estrangeiras

Conversas atribuídas ao dono do Banco Master indicam que ele participava de decisões sobre contratação de mulheres e discutia criar uma agência própria; a PF investiga o caso.

Mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apontam a existência de uma suposta rede internacional de prostituição financiada por ele a partir de 2023. Segundo reportagem da coluna de Natália Portinari, no portal Uol, o esquema envolvia intermediários, recrutamento de mulheres estrangeiras e uma casa noturna em São Paulo, com investimentos de pelo menos R$ 4,3 milhões.

De acordo com a publicação, as conversas indicam que Vorcaro não só utilizava os serviços, mas também participava de decisões sobre a contratação das mulheres e discutia a criação de uma agência para administrar o negócio. Parte delas era estrangeira, incluindo russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas. A reportagem afirma que algumas foram mantidas no Brasil após serem levadas a eventos privados frequentados pelo banqueiro, por autoridades e por pessoas próximas a ele.

Um dos episódios descritos envolve uma jovem ucraniana de 19 anos, refugiada da guerra, que chegou ao grupo em outubro de 2023, após ser levada a uma festa de Halloween. No mês seguinte, o promotor de eventos Diogo Batista, apontado como um dos principais investigados, relatou a Vorcaro a presença de três refugiadas ucranianas. O banqueiro respondeu: "Tem que sobrar alguma refugiada pra mim", conforme a reportagem.

Dias depois, Batista disse que a jovem não poderia voltar à Ucrânia porque os pais achavam melhor que ela ficasse fora do país. Em dezembro, ele afirmou que ela não tinha para onde ir e que sua cidade de origem estava sendo bombardeada. Nas conversas, ele sugeriu criar uma agência e, em janeiro de 2024, insistiu na ideia de alugar uma casa ou apartamento por meio da empresa, para manter as mulheres e evitar vincular o espaço diretamente aos envolvidos.

A reportagem também aponta que os dois usavam expressões depreciativas para se referir às mulheres. Batista teria usado o termo "escravinha doutrinada", e as mais jovens recebiam o apelido de "creche". Em abril de 2024, Vorcaro teria discutido o envio de russas e ucranianas de volta aos seus países e afirmado que faria uma seleção para decidir quem permaneceria na agência.

Além de Vorcaro e Batista, que segundo o Uol recebia R$ 120 mil mensais, o empresário Leonardo Serrano, dono de uma empresa de eventos, é apontado como um dos principais investigados. Os dois não responderam aos contatos da publicação. A Polícia Federal abriu inquérito em maio para apurar a participação de garotas de programa estrangeiras e possíveis irregularidades na contratação.

No Brasil, a prostituição voluntária não é crime por si só, mas o favorecimento da prostituição e a exploração sexual por terceiros podem configurar crimes, conforme as circunstâncias. A investigação busca esclarecer se houve coação ou violência, elementos relevantes para a apuração de eventual tráfico internacional de pessoas.

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