O jovem Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, morto com 27 tiros durante uma abordagem da Polícia Militar no sábado (10), em Moema, na zona Sul de São Paulo, se preparava para prestar vestibular para engenharia mecânica.
A prima dele, que preferiu não se identificar, descreveu Gustavo como uma pessoa doce, divertida e prestativa. Segundo ela, o jovem passava muitos fins de semana com a avó, de 90 anos, para ajudá-la nos cuidados diários, e também cuidava dos primos mais novos e dos animais da família.
O registro da ocorrência aponta que os agentes efetuaram 45 disparos, dos quais 27 atingiram o rapaz, depois de confundirem um celular com uma arma de fogo. O Corpo de Bombeiros havia sido acionado após uma denúncia de que um jovem estaria transtornado e ameaçando tirar a própria vida. Uma viatura com quatro policiais foi enviada ao local por volta das 2h45.
Conforme o relato dos policiais, Gustavo correu ao avistá-los, colocou a mão na cintura e tentou se esconder atrás de um imóvel. Em seguida, ele teria saído em direção aos agentes com os braços estendidos e um objeto na mão.
O caso é investigado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa). As armas dos policiais e o celular do jovem foram apreendidos para perícia, e as imagens das câmeras corporais dos agentes foram solicitadas. A SSP (Secretaria de Segurança Pública) informou que os quatro PMs foram afastados das atividades operacionais e que foi aberto um Inquérito Policial Militar.
A advogada da família afirmou que Gustavo era negro, não tinha antecedentes criminais, morava com a mãe e as irmãs e fazia tratamento para depressão. A defesa classifica a ação como desproporcional, diz que tomou medidas jurídicas para preservar provas e que cobrará rigor nas apurações. A família pede o esclarecimento dos fatos e a responsabilização dos envolvidos.






