No Evangelho de João, Jesus se dirige à mãe usando a palavra "mulher" em vez do tratamento maternal convencional. A expressão aparece em dois momentos do relato bíblico: nas Bodas de Caná, no início do ministério público de Cristo, e no Calvário, durante a crucificação.
De acordo com a leitura teológica, a escolha não indica distanciamento afetivo. O termo carrega um significado que conecta a figura de Maria à história da salvação.
O quarto Evangelho registra a presença de Maria no início e no fim da vida pública de Jesus. Nas duas passagens, o texto a chama de "a Mãe de Jesus", mas mostra Cristo se dirigindo a ela como "mulher". A teologia bíblica vê nessa repetição uma figura literária de inclusão, que delimita a missão messiânica: Maria está presente quando Jesus inicia seus sinais, ao transformar água em vinho em Caná, e quando consuma sua obra na Cruz.
O termo também estabelece uma relação simbólica com o Livro do Gênesis. Na tradição cristã, o pecado entrou no mundo pelas escolhas de Eva e Adão, e a restauração vem da obediência de Maria e da redenção trazida por Cristo, apontado como o Novo Adão. Nesse contexto, Maria é identificada como a Nova Eva.
Quando entrega a mãe ao discípulo João no Calvário, Jesus amplia a maternidade de Maria para além dos laços biológicos. A expressão "mulher" sinaliza a passagem de uma maternidade individual para uma maternidade espiritual em relação à comunidade de fiéis e à Igreja.
Análises bíblicas destacam ainda que a nomenclatura reafirma Maria como a primeira discípula e modelo de fé. Em Caná, sua orientação aos serventes, "fazei tudo o que ele vos disser", marca a abertura para o seguimento do Messias. Assim, o vocativo une o início do ministério público de Jesus ao nascimento da Igreja no Calvário. As informações são da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Foto: Reprodução/Edson Silva, ator de "Laços de Família", morre aos 95 anos.


