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TSE: ministros veem atropelo de Nunes Marques a colega e relatam mal-estar após derrubada de canal pró-Lula

Ala do tribunal ouvida sob reserva diz que o presidente da corte não poderia decidir em processo administrativo sobre campanhas e que ignorou o corregedor-geral.

TSE: ministros veem atropelo de Nunes Marques a colega e relatam mal-estar após derrubada de canal pró-Lula
Foto: Reprodução/Nunes Marques marca reunião com campanhas de Flávio e Lula

A decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, de derrubar o canal "Exército do Lula" no WhatsApp gerou incômodo e desconfiança entre ministros da corte. Uma ala ouvida de forma reservada avalia que ele atropelou o colega Ricardo Villas Bôas Cueva.

Esses ministros entendem que o presidente do TSE não poderia tomar decisão em processo administrativo envolvendo candidatos e campanhas eleitorais. Eles lembram ainda que, na sexta-feira (9), Nunes Marques suspendeu três julgamentos no plenário virtual nos quais já havia maioria favorável a Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Com a interrupção, seguem válidas decisões do ministro André Mendonça. Na prática, isso permite a circulação de publicações que a campanha de Lula aponta como inverídicas e prejudiciais ao presidente.

O canal foi criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A suspensão foi determinada a pedido do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A ordem ignorou o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Villas Bôas Cueva, que já atuava no caso e, no sábado (10), havia fixado prazo para que as campanhas se manifestassem.

Depois da decisão de Nunes Marques, Cueva derrubou a ordem e restabeleceu o funcionamento do canal de apoio a Lula. Ele também sugeriu que o caso seja julgado no plenário, mas ainda não há previsão para isso.

Nunes Marques tem dito a interlocutores que decide de forma imparcial e rejeita a avaliação de colegas de que atuaria para beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro. A pessoas próximas, afirma que os pedidos de destaque nos julgamentos buscam promover debate entre todos os ministros e padronizar a jurisprudência da corte.

Nesta segunda-feira (12), o presidente do TSE determinou que a Assessoria de Enfrentamento à Desinformação da Justiça Eleitoral informe se identificou a circulação de conteúdos idênticos ou substancialmente equivalentes aos apontados pela campanha de Flávio Bolsonaro como desinformação.

Foto: Reprodução/Nunes Marques marca reunião com campanhas de Flávio e Lula.

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