Publicidade
Bahia

MPF investiga critérios do ICMBio para autorizar obras na única reserva biológica da Bahia

Inquérito civil foi aberto após construção de casa sem autorização na Reserva Biológica de Una, no Sul do estado; ICMBio diz que são necessárias mais informações sobre o caso.

MPF investiga critérios do ICMBio para autorizar obras na única reserva biológica da Bahia
Foto: Reprodução/Luiz F S Magnago / O Eco

O Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito civil para apurar os critérios usados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) ao autorizar a construção e a ampliação de benfeitorias em unidades de conservação na Bahia. O procedimento foi instaurado em 21 de setembro, por portaria assinada pelo procurador da República Bruno Olivo de Sales.

O caso nasceu de uma ação penal sobre a construção de uma residência na Fazenda Vitória, dentro da Reserva Biológica de Una, no Sul baiano. O imóvel foi erguido em área descrita como não edificável por seu valor ecológico, entre 28 de julho de 2021 e 5 de junho de 2022. O proprietário chegou a pedir autorização ao ICMBio, mas a obra foi feita antes de o órgão concluir a análise.

Na audiência de instrução, realizada em 8 de outubro de 2025, um servidor efetivo e a analista ambiental que chefiava o ICMBio Ilhéus foram ouvidos como testemunhas. O réu acabou absolvido, já que não se reconheceu a ocorrência do crime de destruição ou degradação. Mesmo assim, para o MPF, os depoimentos levantaram dúvidas sobre o método usado pelo órgão para autorizar intervenções nessas áreas, e o Ministério Público passou a suspeitar de uma possível "disfuncionalidade" na emissão das autorizações em Ilhéus.

Segundo a portaria, o MPF questionou o ICMBio sobre os critérios adotados, e a resposta teria apresentado uma "aparente incongruência". Foi dado prazo de 30 dias, que termina em 21 de outubro, para que o instituto complemente as informações e detalhe quais critérios sustentam a autorização de benfeitorias úteis. O inquérito se baseia no artigo 30 do Decreto nº 4.340/2002, que proíbe construir ou ampliar benfeitorias sem autorização do órgão gestor da unidade.

Criada em 10 de dezembro de 1980, a Reserva Biológica de Una é a primeira e única reserva biológica da Bahia. Ela pertence ao grupo de proteção integral, o mais restritivo da legislação ambiental, e até a visitação pública é proibida. Com mais de 18 mil hectares de Mata Atlântica, abriga cerca de 2 mil moradores em sítios, fazendas, casas de veraneio e vilas, segundo a Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), a maioria já estabelecida antes da demarcação. A área é considerada a mais importante para o mico-leão-de-cara-dourada e para outras 15 espécies ameaçadas de extinção.

A unidade é administrada pelo Núcleo de Gestão Integrada (NGI) ICMBio Ilhéus, que também cuida do Refúgio de Vida Silvestre de Una e do Parque Nacional da Serra das Lontras.

Procurado, o ICMBio afirmou que autoriza benfeitorias consideradas necessárias ou, em casos excepcionais, outras situações, e que há diferenciação entre obras em unidades de conservação e obras voltadas a populações tradicionais. Sobre a "aparente incongruência", o instituto disse que ela "foi corrigida em comunicação posteriormente enviada" e que, no âmbito do NGI Ilhéus, não foram identificadas outras situações semelhantes. Quanto à possível disfuncionalidade, declarou que "são necessárias maiores informações a respeito do inquérito".

Foto: Reprodução/Luiz F S Magnago / O Eco.

Publicidade

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Share with