Políticos tradicionais ligados a igrejas evangélicas perderam força nas eleições de 2026. Candidatos bolsonaristas sem vínculo formal de representação com uma denominação religiosa, por outro lado, tiveram votações expressivas. Um levantamento aponta mudança no perfil da representação evangélica na política brasileira.
Entre os que ficaram fora da Câmara dos Deputados está Cezinha de Madureira (PL-SP), ligado à Assembleia de Deus Brás Ministério Madureira. Ele teve 60.596 votos, contra 143.434 em 2022. Otoni de Paula (PSD-RJ) caiu de 158.507 para 19.364 votos, depois de se posicionar contra o bolsonarismo, e também não foi reeleito.
David R.R. Soares (Podemos-SP), filho do líder religioso R.R. Soares e representante da Igreja Internacional da Graça de Deus, obteve 61.366 votos, ante 93.831 na eleição anterior, e não conquistou novo mandato. Na disputa pelo Senado, Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) somou 539.598 votos, mas não venceu.
Em contrapartida, Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), que se declaram evangélicos, mas não representam oficialmente suas igrejas, foram os deputados federais mais votados. Os dois superaram o recorde de 1,8 milhão de votos de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em 2018.
A queda de votos também atingiu quem conseguiu manter o mandato. Paulo Freire Costa (PL-SP), filho do pastor José Wellington, da Assembleia de Deus Ministério do Belém, foi reeleito deputado federal com 99.388 votos, ante 161.675 em 2022. Marta Costa (PSD-SP), da mesma igreja, foi reeleita deputada estadual com 100.083 votos, contra 170.541 antes.
Houve exceções. Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, ligada ao pastor Silas Malafaia, passou de 65 mil votos em 2022 para 170 mil em 2026. Estreante na Câmara, Guilherme Kilter (Novo-PR), líder de jovens na Primeira Igreja Batista de Curitiba, teve 269 mil votos, a segunda maior votação do Paraná.
Outros nomes ligados a igrejas também perderam espaço em São Paulo. Oseias de Madureira (PL-SP) caiu de 137.205 para 42.223 votos e não foi reeleito deputado estadual. Edna Macedo (Republicanos-SP), da Igreja Universal do Reino de Deus, teve 55.086 votos e ficou sem a reeleição. Daniel Soares (União-SP), da Igreja Internacional da Graça de Deus, obteve 53.812 votos, contra 81.753 em 2022, e também não conquistou novo mandato.
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