O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, afirmou ter liberado cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, a negociação estaria ligada à tentativa de acessar recursos de fundos de pensão federais. A informação foi publicada pela revista Veja nesta sexta-feira (9), com base em supostos áudios, documentos e relatos atribuídos ao empresário.
De acordo com a reportagem, Vorcaro contou às autoridades que o pagamento foi negociado com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e destinado a cobrir despesas de um documentário sobre Lula feito no exterior, além de outros repasses ao Instituto Lula. O relato consta de um anexo ligado à tentativa de firmar um acordo de delação premiada, que acabou rejeitada.
As alegações não equivalem a fatos comprovados judicialmente. Segundo a revista, a Procuradoria-Geral da República (PGR) não deu seguimento ao caso por entender que faltavam provas suficientes dos pagamentos, que teriam sido feitos em espécie. A defesa de Vorcaro afirma que há outros elementos para sustentar o relato.
Em um áudio obtido pela publicação, o banqueiro fala sobre o financiamento do documentário e diferencia o suposto pagamento do patrocínio ao filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A produção citada é Lula, dirigida pelo cineasta Oliver Stone, que reuniu depoimentos de pessoas próximas ao presidente.
Pelo relato atribuído a Vorcaro, o valor de cerca de R$ 30 milhões teria sido apresentado como condição para viabilizar o credenciamento do Banco Master junto a fundos de previdência de servidores públicos. Ele também teria mencionado a cobrança de uma taxa de 10% sobre os valores captados nessas instituições.
A reportagem diz ainda que o banqueiro citou a participação do ministro Alexandre Padilha, do então secretário-executivo da Secretaria de Relações Institucionais, Olavo Noleto, e de operadores ligados a eles. Segundo Vorcaro, seu então sócio, Augusto Lima, participou das primeiras conversas com Vaccari, com intermediação do senador Jaques Wagner (PT-BA), então líder do governo Lula no Senado.
Segundo a Veja, o Banco Master foi incluído em 29 de abril de 2024 na lista de instituições autorizadas a receber recursos desses fundos. Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro indicariam contatos com envolvidos nas tratativas. Os investigadores, porém, avaliam que a existência dos contatos, por si só, não comprova que os pagamentos tenham sido feitos como propina.
Procurado pela revista, Lula negou ter pedido ou recebido vantagens financeiras do banqueiro e ter autorizado terceiros a receber recursos em seu nome. Noleto e Padilha negaram relação com Vorcaro, e Noleto disse não ter recebido dinheiro dele. Os demais citados não haviam se manifestado até o fechamento da reportagem.
A publicação ressalta que não há prova de que Lula tenha se reunido com Vorcaro na ocasião citada nas mensagens. O encontro confirmado no Palácio do Planalto ocorreu em 4 de dezembro de 2024, fora da agenda oficial, e tratou da situação do Banco Master junto ao Banco Central.
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