O relato da cabeleireira baiana Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como "Débora do Batom", voltou a repercutir nas redes sociais depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, na terça-feira (6), a progressão da pena para o regime semiaberto. Moraes manteve Débora em regime domiciliar porque ela tem filhos menores de idade. Com a decisão, ela passa a poder sair de casa durante o dia.
Débora ficou conhecida nacionalmente após participar dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, quando escreveu a frase "Perdeu, mané" em uma escultura em frente ao STF. Ela foi condenada pela Primeira Turma da Corte, por 4 votos a 1, pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Em entrevista concedida à época à Revista Oeste, ela descreveu os primeiros dias após a prisão, quando foi levada a uma cela sem luz, onde passou frio. Segundo Débora, o kit de higiene que recebeu estava sujo. "Eu lembro que o kit de higiene que me entregaram estava todo cheio de urina. Eu não conseguia me cobrir com ele à noite, porque estava todo molhado", relatou.
Sem contato inicial com a família, ela disse que só pensava nos filhos. "Foi um momento muito difícil, porque eu não tinha contato nenhum com a minha família", contou. Débora também falou do desespero ao saber de uma possível transferência para Rio Claro, no interior de São Paulo, e disse ter sido orientada a não revelar, de imediato, qual era o seu crime às outras presas.
A primeira visita dos filhos aconteceu cerca de 20 dias depois. "Foi muito difícil ver meus filhos naquele ambiente, mas eu estava doente de saudade deles. Quando eles entraram, eu me ajoelhei no pátio, agradecendo a Deus", descreveu. Ela contou que as crianças perguntaram por que estava ali e se era criminosa, e que tentou explicar, com palavras simples, que havia participado de uma manifestação política e que logo estaria solta.
Ao deixar a prisão e voltar para casa, Débora disse ter sido recebida pelo marido, e os dois se abraçaram chorando no gramado. "Quando vi meus filhos, que minha irmã trouxe, foi um momento muito marcante para mim e para eles", afirmou. Ela permaneceu mais de dois anos privada de liberdade.
Foto: Reprodução/BNews.






