Um tenente-coronel da Polícia Militar foi preso preventivamente nesta quarta-feira (7), em Santa Maria da Vitória, no oeste da Bahia. Ele é suspeito de receber R$ 286 mil de uma milícia armada que atuou na região de Correntina. A prisão aconteceu na terceira fase da Operação Terra Justa. A força-tarefa identificou o oficial como Luiz Augusto Normanha de Carvalho.
Além da prisão, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em residências do policial no município. A Justiça decretou as medidas depois de receber denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA), que acusa o tenente-coronel de corrupção passiva militar.
De acordo com a investigação, o dinheiro foi repassado por um sargento da reserva da PM, denunciado e condenado por liderar a milícia. O grupo atuou por mais de dez anos na região de Correntina, prestando serviços clandestinos de segurança para grileiros e fazendeiros. Segundo o MP-BA, as ameaças serviam para expulsar comunidades tradicionais de suas terras.
Os repasses eram frequentes, geralmente de R$ 15 mil por mês. Também houve pagamento de despesas pessoais do policial, como boletos da faculdade da filha. A suspeita é que os valores garantiam que o oficial não atuasse contra a milícia, permitindo que o grupo agisse sem fiscalização.
A denúncia aponta ainda que o tenente-coronel colaborava com o funcionamento do esquema, inclusive ajudando a montar escalas de vigilantes armados. O MP-BA também vê indícios de que, depois da prisão do sargento, ele usou o cargo e o prestígio para oferecer serviços irregulares de segurança armada a um fazendeiro da região.
O oficial comandou até 2023 a 30ª Companhia Independente da PM de Santa Maria da Vitória e, atualmente, é diretor do Colégio da Polícia Militar de Bom Jesus da Lapa. A operação é conduzida pelo MP-BA, por meio do Gaeco e da 3ª Promotoria de Justiça Militar, em conjunto com a Secretaria da Segurança Pública, a Força Correicional Especial Integrada (Force) e a Corregedoria da PM.
Foto: Divulgação SSP.






