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Salvador

MP-BA denuncia dez dirigentes da Bamor por tortura, extorsão e organização criminosa em Salvador

Acusados estão presos desde a Operação Inquisição; Ministério Público pede R$ 2 milhões de indenização por danos morais coletivos.

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou dez integrantes da diretoria da torcida organizada Bamor pelos crimes de organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça. A denúncia foi protocolada na sexta-feira (2) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), como desdobramento da Operação Inquisição.

Os denunciados seguem presos preventivamente no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador. Entre eles estão o presidente da torcida, Matheus Pires Castro, e o vice-presidente, Luciano da Silva Venâncio. Também foi denunciado o policial militar Fernando Santana Esquivel, apontado pelo MP-BA como integrante da Bamor.

Segundo a acusação, o grupo formava uma estrutura estável e organizada, com divisão de funções, e teria usado a torcida para promover uma espécie de punição privada contra duas pessoas suspeitas de envolvimento em supostos desvios ligados ao sistema de gestão de associados.

De acordo com o MP-BA, os crimes teriam ocorrido em julho, quando as vítimas foram levadas à sede da Bamor, em Salvador, em dias consecutivos. Pressionadas a confessar irregularidades, e diante das negativas, elas teriam sofrido agressões físicas e psicológicas, entre elas espancamentos, sufocamento e simulação de afogamento, com uso de tacos de beisebol, martelo, faca e alicate.

Em um dos casos, a vítima teria sofrido perfurações nas mãos, queimadura na orelha, sufocamento com saco plástico e simulação de afogamento com pano e água, além de ameaças a familiares. No outro episódio, os investigadores apuram o acesso ao celular da vítima e uma transferência financeira que teria sido feita sob coação.

A operação cumpriu dez mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão, com recolhimento de dispositivos eletrônicos, documentos, armas, munições, instrumentos que podem ter sido usados nas agressões e bens das vítimas. A sede da Bamor foi fechada por decisão judicial, por ser apontada como o local das agressões. O MP-BA esclareceu que a medida não significa que a associação seja alvo da investigação criminal.

Além da condenação dos denunciados, o Ministério Público pediu a manutenção das prisões, indenização às vítimas por danos materiais e morais e o pagamento de R$ 2 milhões por danos morais coletivos. As investigações continuam, com análise do material apreendido e novas diligências.

O caso começou a ser investigado após a denúncia de agressões contra um homem de 45 anos, em julho, na sede da torcida, no bairro de Nazaré. Na época, ele relatou ter sido acusado de participar de um desvio de cerca de R$ 3 mil e negou envolvimento. A Polícia Civil informou que a 1ª Delegacia Territorial (DT/Barris) apurava agressão física e roubo, e a Bamor comunicou a expulsão de Roberson Jesus, o “Binho”, do quadro de associados.

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