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Reajuste do Bolsa Família repete estratégia adotada por Bolsonaro na eleição de 2022

O reajuste de 15,04% anunciado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o Bolsa Família ocorre a 17 dias do primeiro turno da eleição presidencial de 2026 e tem precedente recente na política brasileira. Em 2022, durante a campanha pela reeleição, Jair Bolsonaro (PL) elevou o valor mínimo do então Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 e ampliou o número de famílias atendidas pelo programa.

A mudança de 2022 foi implementada por meio de uma medida que criou um benefício extraordinário de R$ 200, inicialmente previsto para vigorar até dezembro daquele ano. A legislação que instituiu o benefício foi sancionada em maio, e os pagamentos de R$ 600 começaram em agosto.

Naquele mês, mais de 2,2 milhões de famílias foram incluídas no Auxílio Brasil, fazendo o programa chegar a 20,2 milhões de famílias. O governo federal informou, na época, que a ampliação havia permitido atender todas as famílias que apresentavam perfil para receber o benefício segundo os dados do Cadastro Único.

O aumento representou uma alta de 50% sobre o valor mínimo de R$ 400 que vinha sendo pago. Em setembro, o programa alcançou novo recorde, com mais de 20,65 milhões de famílias recebendo pelo menos R$ 600.

Quatro anos depois, o governo Lula anunciou uma nova alteração no benefício às vésperas de uma eleição presidencial. A partir de outubro, o valor mínimo do Bolsa Família passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio deverá subir de R$ 675 para R$ 777.

A correção anunciada agora terá impacto de R$ 5,8 bilhões nas despesas públicas entre outubro e dezembro de 2026. Para 2027, o aumento dos gastos está estimado em cerca de R$ 22,7 bilhões, segundo o governo.

Há também uma coincidência na tramitação orçamentária. A proposta de Orçamento de 2027 enviada pelo governo ao Congresso em agosto não previa aumento no valor do Bolsa Família. O reajuste anunciado nesta quinta-feira, portanto, altera a previsão inicial para as despesas do programa no próximo ano.

A proximidade do anúncio com o calendário eleitoral já provocou reação no campo de oposição ao governo. Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputa a Presidência, anunciaram que pretendem questionar a medida na Justiça Eleitoral.

Em 2022, o Auxílio Brasil também passou por mudanças importantes durante o período eleitoral. Os R$ 600 começaram a ser pagos em agosto, e o número de famílias atendidas cresceu em 2,2 milhões de julho para aquele mês.

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