O Conselho Regional de Enfermagem da Bahia (Coren-BA), representado pelo conselheiro Anderson Oliveira e pela advogada Leila Ifá, esteve nesta quarta-feira (16) na Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (DECRIN), em Salvador, acompanhando a enfermeira Laiana Amorim, que denunciou ter sido vítima de injúria racial durante o exercício de suas atividades no Hospital Geral Roberto Santos (HGRS).
O caso aconteceu no dia 3 desetembro. Segundo relato apresentado pela profissional à Ouvidoria do Coren-BA, após realizar um curativo em um paciente, ela ouviu a expressão: “obrigado, macaca”.
De acordo com Laiana, colegas de trabalho e outros pacientes que estavam próximos se revoltaram com a situação e pediram que o homem parasse. Ainda segundo o relato da profissional, mesmo após ser repreendido, ele teria repetido o termo outras duas vezes e, posteriormente, afirmado: “ela é sim minha macaquinha”.
A enfermeira, que atua há cinco anos no hospital, conta que ficou profundamente abalada após o episódio e não conseguiu retornar imediatamente às suas atividades.
“Eu me senti envergonhada, eu só queria sair daquele espaço. Eu estava com uma bandeja de procedimentos em mãos, disse que ia limpar e retornar, mas não consegui. Eu fiquei muito abalada”, relatou Laiana.
Após o episódio, a profissional foi acolhida por colegas de trabalho, que, segundo seu relato, demonstraram indignação diante da situação. Inicialmente, Laiana realizou o registro do Boletim de Ocorrência de forma virtual.
A enfermeira é vinculada à Fundação José Silveira, que presta serviços ao HGRS. Segundo informações apresentadas pela profissional, a instituição ofereceu apoio psicológico, acolhimento e a possibilidade de alteração do local de trabalho. Laiana afirma, entretanto, que está aguardando posicionamento da diretoria do Hospital Geral Roberto Santos.
Nesta quarta-feira (16), a profissional compareceu à DECRIN acompanhada por representantes do Coren-BA para dar prosseguimento às providências relacionadas ao caso.
Para o conselheiro Anderson Oliveira, a situação relatada pela profissional demonstra a importância de denunciar e formalizar episódios de racismo e violência contra trabalhadores da Enfermagem.
“O que aconteceu com Laiana não pode ser tratado como uma situação normal do ambiente de trabalho. Ela estava exercendo sua profissão, prestando assistência, e foi submetida a uma situação de racismo. O Coren-BA está ao lado da profissional, acompanhando o caso e oferecendo o suporte institucional cabível para que a denúncia seja devidamente apurada. É importante que situações como essa não sejam silenciadas”, disse.
A advogada Leila Ifá orientou a profissional sobre a importância de buscar imediatamente a autoridade policial em situações dessa natureza, especialmente quando houver uma unidade policial próxima ao local da ocorrência.
“Em uma situação de injúria racial, a orientação é procurar imediatamente a autoridade policial e formalizar a ocorrência. Neste caso, há um módulo policial nas dependências do hospital, o que possibilita que a situação seja comunicada de forma presencial e imediata, permitindo a adoção das providências cabíveis pelas autoridades, conforme as circunstâncias do caso”, destacou.
O caso segue sob apuração das autoridades competentes.






