Brasileiros vão às ruas em diversas capitais contra Anistia e PEC da Blindagem

Brasileiros saíram às ruas neste domingo (21) para protestar contra o Projeto de Lei da Anistia e a PEC da Blindagem, aprovados recentemente pela Câmara dos Deputados. Os atos ocorreram em várias capitais do país pela manhã, como Brasília, Salvador, Belo Horizonte e Maceió, e devem continuar à tarde em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e outras cidades.

As manifestações contam com a presença de frentes sociais, sindicatos, parlamentares e apoio de artistas. No Rio de Janeiro, nomes como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil e Djavan participam da mobilização. Já em Salvador, a cantora Daniela Mercury e o ator Wagner Moura se somaram ao movimento.

No campo político, também marcam presença figuras como Lindbergh Farias (PT) e Talíria Petrone (PSOL), no Rio, além de Tabata Amaral (PSB) e Guilherme Boulos (PSOL), em São Paulo.

A articulação dos protestos começou na última semana, após o avanço paralelo dos dois projetos no Congresso. A PEC da Blindagem prevê que processos contra parlamentares só sejam abertos com aval do Legislativo em votação secreta, além de estender foro privilegiado a presidentes de partidos. Já o PL da Anistia busca beneficiar condenados pelos atos de 8 de janeiro e outros crimes relacionados, tramitando em regime de urgência.

No Senado, a PEC deve enfrentar resistências na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a começar pelo relator Alessandro Vieira (PSD-SE), contrário ao texto. O PL da Anistia ficou sob relatoria de Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que articula a redução de penas, estratégia criticada por setores da direita.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já sinalizou que vetará qualquer anistia que chegue à sua mesa e classificou a PEC da Blindagem como “não séria”. Na Câmara, a bancada petista foi unânime contra a urgência do PL da Anistia, mas parte dos parlamentares votou favoravelmente à PEC após liberação da liderança.

Os atos, além de rejeitar os dois projetos, também servem para reforçar pautas de interesse do governo, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, atualmente travada na Câmara pela oposição.