Em apenas três anos, o Coren-BA teve três presidentes. Giszele Paixão chegou ao comando em meio a uma crise, tentou permanecer no cargo e acabou deixando a presidência no fim de 2023. Meses depois, tornou-se alvo de um processo administrativo no Cofen.
A história de Giszele de Jesus dos Anjos Paixão se mistura com um dos períodos mais turbulentos da história recente do Conselho Regional de Enfermagem da Bahia.
E para entender como a ex-presidente foi parar no centro de um processo disciplinar, é preciso voltar alguns anos.
2021: A CRISE COMEÇA
O Coren-BA enfrentava uma forte turbulência interna.
Em 2021, o então presidente Jimi Hendrex Medeiros de Souza foi afastado após o Cofen apontar indícios relacionados a um suposto esquema de “rachadinha” para pagamento de dívidas de campanha.
Na mesma época, a primeira-tesoureira Rosane Santiago também foi afastada.
O resultado?
Instabilidade no comando do Conselho.
3 PRESIDENTES EM APENAS 3 ANOS
Foi nesse cenário que Giszele Paixão chegou à presidência do Coren-BA.
A sequência de mudanças no comando chamou atenção: em aproximadamente três anos, o Conselho passou por três presidentes.
Giszele assumiu prometendo conduzir a instituição em meio à crise.
Mas sua passagem pelo cargo também acabaria cercada por novas denúncias e disputas.
2023: A DISPUTA PELO PODER
Com a eleição de 2023 se aproximando, a disputa política dentro do Conselho ganhou força.
Giszele tentou permanecer na presidência.
Durante esse período, surgiram acusações de que a estrutura administrativa do Conselho teria sido utilizada para favorecer sua candidatura.
Entre os pontos posteriormente analisados pelo Cofen estão a distribuição de brindes em eventos oficiais e o uso das redes sociais institucionais em benefício de uma chapa.
ELA PERDE A ELEIÇÃO
O resultado das urnas não foi o esperado.
Giszele terminou a disputa em segundo lugar e não conseguiu permanecer no comando do Coren-BA.
No fim de 2023, ela deixou oficialmente a presidência.
Mas a história estava longe de terminar.
NOVEMBRO DE 2023: O PAD
Em novembro de 2023, o Conselho Federal de Enfermagem instaurou um Processo Administrativo Disciplinar contra Giszele Paixão e sua então tesoureira, Kátia Nascimento Gama.
O processo passou a investigar uma série de suspeitas relacionadas à gestão.
Entre elas:
• possíveis irregularidades em licitações;
• suspeitas de repasses indevidos de valores;
• uso da estrutura institucional durante o período eleitoral;
• questionamentos sobre utilização de recursos financeiros;
• suspeita de nepotismo envolvendo a comissão eleitoral.
MAS NÃO FOI SÓ ISSO…
Durante a gestão, uma ex-gerente administrativa também apresentou uma denúncia de suposto assédio moral.
Segundo o relato, teriam ocorrido humilhações públicas, gritos e pressão para acelerar processos licitatórios.
A denunciante afirmou ter desenvolvido Síndrome de Burnout.
O Coren-BA, na época, negou as acusações e afirmou que a denúncia teria viés político.
E AGORA?
Giszele não é mais presidente do Coren-BA.
Ela deixou o cargo no final de 2023, após não conseguir a reeleição.
O que existe atualmente é um processo administrativo instaurado pelo Cofen para apurar as acusações e verificar se houve irregularidades.
Isso significa que as denúncias não equivalem a uma condenação.
O próprio Coren-BA afirmou que colaboraria com as investigações e declarou acreditar que uma apuração imparcial comprovaria a integridade das conselheiras envolvidas.
DE UMA CRISE A OUTRA
A história de Giszele Paixão começa em meio à crise do Coren-BA, passa por uma sequência de mudanças na presidência, chega à eleição de 2023 e termina, até o momento, com a ex-presidente sendo alvo de um processo administrativo.
Mas afinal, o que aconteceu dentro do Coren-BA durante esse período?
Essa é justamente a pergunta que o processo instaurado pelo Cofen busca responder.
E A TENTATIVA DE VOLTAR AO PODER?
Mas a história pode não ter terminado com a saída de Giszele Paixão da presidência.
Segundo informações atribuídas a fontes ouvidas pela reportagem, a ex-presidente estaria tentando recuperar espaço político dentro do Coren-BA e voltar a influenciar os rumos da instituição.
As mesmas fontes relatam ainda uma suposta articulação envolvendo influenciadores e páginas nas redes sociais que vêm fazendo críticas e ataques à atual gestão.
Há também alegações de que algumas dessas páginas seriam perfis falsos ou administrados por pessoas ligadas ao antigo grupo político de Giszele. Até o momento, porém, não há comprovação pública suficiente para afirmar que esses perfis pertençam diretamente à ex-presidente.
Se confirmadas, essas movimentações levantariam uma nova questão:
Giszele Paixão estaria tentando voltar ao poder do Coren-BA pelas redes sociais, mesmo depois de deixar a presidência em 2023?
A reportagem seguirá acompanhando as movimentações e os possíveis desdobramentos dessa disputa política nos bastidores do Conselho.