A corrida pelo Governo do Estado da Bahia em 2026 começa com o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) na dianteira. Segundo levantamento do Instituto Veritá divulgado nesta semana, ele concentra 55,9% das intenções de voto válidos em cenário estimulado, contra 42,3% do atual governador Jerônimo Rodrigues (PT), que tenta a reeleição. Ronaldo Mansur (PSOL) e José Carlos Aleluia (Novo) aparecem com 1,1% e 0,7%, respectivamente.
A vantagem de ACM Neto se consolida em praticamente todos os segmentos demográficos. O candidato lidera com mais folga entre os eleitores mais jovens — 60,6% dos votos válidos na faixa de 16 a 34 anos — e entre os evangélicos, com 65,1%. Jerônimo vai melhor entre eleitores acima de 55 anos, onde alcança 51,1%, e entre os de menor renda.
Quando o entrevistador não cita nomes — a chamada pesquisa espontânea —, apenas 36,2% dos eleitores já têm candidato definido ao governo. Dos que declararam um nome, ACM Neto foi citado por 53,1% e Jerônimo Rodrigues por 46,7%.
Rejeição e voto negativo
A pergunta sobre em quem o eleitor definitivamente não votaria revela o tamanho do desafio do PT na disputa. Jerônimo concentra 51,2% das rejeições, enquanto ACM Neto responde por 33,3%. José Carlos Aleluia tem 9,5% de rejeição e Ronaldo Mansur, 6%.
A rejeição a Jerônimo é especialmente elevada entre os evangélicos — 64% disseram que não votariam nele de jeito nenhum — e entre eleitores de renda acima de cinco salários mínimos (51,5%).
Avaliação do governo Jerônimo
A desaprovação à gestão Jerônimo Rodrigues é o principal ativo da oposição. Segundo a pesquisa, 57,7% dos eleitores desaprovam a maneira como o governador administra o estado, contra 42,3% que aprovam. As notas ruim ou péssimo somam 43,2% das avaliações gerais.
A avaliação negativa é especialmente alta entre jovens de 16 a 34 anos (59,4% de desaprovação), entre eleitores com ensino superior (56%) e entre os evangélicos (65,7%). A aprovação é mais forte entre os católicos (48%) e os eleitores com mais de 55 anos (46,2%).
Serviços públicos: saúde e rodovias são os pontos mais críticos
A avaliação dos serviços estaduais aprofunda o quadro desfavorável para o governo. A saúde pública é o ponto mais crítico: 69,9% dos eleitores que opinaram reprovam a atuação do estado na área. As rodovias estaduais vêm logo atrás, com 63% de reprovação, seguidas pelo sistema prisional (57,4%) e pela educação (55,7%).
No campo positivo, o Corpo de Bombeiros é a única instituição com ampla aprovação, aprovada por 89,3% dos entrevistados. A Polícia Militar tem 64,1% de aprovação e a Polícia Civil e o Detran somam 58,3%.
Senado: PT lidera, mas disputa é aberta
Para o Senado Federal, a consolidação das duas vagas em disputa aponta para uma eleição mais competitiva. Na soma das perguntas sobre primeiro e segundo voto, Jacques Wagner (PT) lidera com menção em 38,4% dos casos, seguido de perto por Rui Costa (PT), com 38,3%. João Roma (PL) aparece em terceiro, com 33,6%, e Angelo Coronel (sem partido), com 24,9%.
A rejeição ao Senado, no entanto, apresenta um complicador para o PT. Jacques Wagner é o candidato que os eleitores menos votariam: 41,2% do total afirmaram que definitivamente não o elegeriam. João Roma aparece em segundo lugar, com 26,4% de rejeição, seguido de Angelo Coronel (21,9%) e Rui Costa (10,5%).